COMITÊ PRÓ VOTO NULO-AL


Teses sobre as eleições de 2006

I) Do politicismo:

I.1. Vivemos o período contra-revolucionário mais intenso e extenso da história da humanidade. Jamais, desde a Revolução Francesa (1789-1815), a humanidade conheceu tantos anos sem qualquer revolução significativa; jamais a humanidade conheceu uma vida cotidiana em que as lutas sociais, ao invés parte expressiva da vida, assumem formas tão sutis e tão sub-reptícias que é preciso esforço para ser reconhecida em quanto a luta de classes que é.

I.2. As alienações que brotam do capital, nestas circunstâncias históricas, imperam praticamente sem qualquer contra-tendência social significativa. Sequer aquela consciência mais pontual das lutas econômicas (isto é, que lutam por melhores salários, mas não pela superação da exploração do homem pelo homem), lutas que, no passado agiam contrariamente às expressões mais brutais das desumanidades capitalistas, podem ser encontradas na vida cotidiana.

I.3. A vida resume-se, desde modo, ao patamar mais miserável possível nesta quadra histórica: a luta de todos contra todos em busca das parcas migalhas de civilização que ainda restam. Sem qualquer restrição significativa, o capitalismo faz com que os centros urbanos degenerem em campos de guerra, que a relação do homem com a natureza assuma dimensões destrutivas que ameaçam a própria sobrevivência da humanidade, que as relações dos seres humanos entre si, e dos indivíduos consigo próprios, tenham no dinheiro a sua única medida e sentido.

I.4. É neste mundo alienado ao extremo que se impôs como uma verdade inquestionável a concepção de que será pela eleição dos "homens bons" que construiremos um "mundo melhor". Mesmo uma parcela da esquerda foi possuída pelo que Lênin denominava de "cretinismo parlamentar": transfere-se ao parlamento a responsabilidade da transformação do mundo, converte-se o parlamento no desaguadouro natural dos movimentos sociais, no patamar superior da luta de classes e, ainda, no local por excelência da política. Ou seja, mesmo os revolucionários terminaram presos da concepção de mundo segundo a qual apenas pelo Estado e, nele, pelo parlamento, poder-se-iam encontrar propostas coletivas para os problemas comuns. É aos olhos desta concepção de mundo, com forte influência na própria esquerda, que participar das eleições votando-se neste ou naquele candidato se tornou algo tão natural e inquestionável quanto a força da gravidade. Votar em candidatos nas eleições se elevou a algo tão necessário como comer na hora do almoço: um ato tão cotidiano e corriqueiro que o fazemos na maior parte das vezes sem nos darmos conta do que estamos, de fato, fazendo. Votamos porque foi marcada a eleição e porque é impensável que não participemos do jogo parlamentar.

I.5. A representação político-parlamentar possui duas características básicas.        

                I.5.1. Ao o trabalhador eleger um representante ao parlamento, ele o faz enquanto um cidadão. O parlamentar eleito também o é enquanto cidadão. As classes sociais são dissolvidas na cidadania. A relação entre o eleito e o eleitor é a relação entre quem tem lugar cativo no palco em que se "decide a história" (o parlamento) e aquele que está buscando que uma sua reivindicação ganhe lá alguma expressão. Apenas irá pisar no tapete do Congresso a reivindicação do trabalhador que aceita ser trabalhador da burguesia. Do mesmo modo – mas isso é absolutamente natural com suas determinações de classe – a burguesia apenas irá entrar no Parlamento enquanto personificação do capital. Esta a primeira característica básica da representação parlamentar: nela podem ser representadas apenas aquelas forças e aquelas demandas sociais que fazem parte da reprodução do capital.

                I.5.2. A segunda característica básica da representação parlamentar é que, aparentemente, ela aceitaria a representação política das mais diversas classes e interesses sociais. Esta é apenas a sua aparência. Pois, na verdade, apenas irão adentrar à reprodução da sociedade burguesa aquelas decisões e resoluções do parlamento que estiverem de acordo com as necessidades imediatas da reprodução do capital. É por este motivo, por exemplo, que a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, pelo qual se debateram forças sociais poderosas e que foi saudado como uma vitória popular, não alterou sequer pontualmente a miséria das nossas crianças e adolescentes. É também por este motivo que, mesmo sendo uma cláusula pétrea da constituição, a lei que limita os juros a 12% ao ano nunca foi seguida. E os exemplos são muitíssimos.

I.6. A política parlamentar é hoje, duplamente ilusória. Ao votar, o indivíduo não participa da história, antes abre mão do seu direito de participar da história o transferindo para o outro indivíduo que é o candidato eleitoral. E, em segundo lugar, reforça nas pessoas a ilusão de que é no parlamento que a história e feita, velando-se pela mediação da política parlamentar a regência do capital sobre a reprodução social.



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 00h57
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II. Da conjuntura

II. A eleição do governo Lula ocorreu em um momento em que o esgotamento do neoliberalismo como estratégia do grande capital exibe seus primeiros sintomas. Sem alternativa ao neoliberalismo, o grande capital deve prolongá-lo fazendo os ajustes de curto prazo. Um destes ajustes é colocar no comando do Estado personalidades e partidos políticos que não faziam parte, no passado, dos partidos e das personalidades que representavam o neoliberalismo. Foi assim com a eleição dos trabalhistas na Inglaterra, dos socialistas na França, e na América Latina, de partidos e políticos de origem nas classes populares. Todos estes governos, sem exceção alguma, cumpriram a função a eles destinada pelo grande capital: manter o neoliberalismo através de ajustes que aprofundam suas características decisivas, ampliando a transferência das riquezas para o grande capital (principalmente o financeiro) e possibilitando, desta forma, o equilíbrio momentâneo da "Nova Ordem Mundial" até que uma alternativa melhor ao grande capital que o neoliberalismo se apresente. Ampliou-se o "Partido da Ordem" (18 Brumário) pela absorção de partidos e personalidades de origem popular, o que equivale a dizer que tais partidos e personalidades traíram seus compromissos históricos e foram aceitos nos salões do grande capital, ainda que com freqüência antes como serviçais que como associados.

II.2. Tais partidos (e seus sindicatos) evoluíram para se adaptarem aos "novos tempos": se burocratizaram e se converteram ao credo neoliberal com a devoção do cristão novo. Como "novos ricos", devem exibir desmesuradamente seus novos atributos. Se não fosse trágico, o ridículo seria cômico: ao lado da burguesia Lula será sempre um serviçal; útil e, por isso, deve ser bem pago e deve receber as honras devidas... a um bom serviçal. Neste sentido, Lula é o ícone de uma era e de uma tragédia: a traição de antigas lideranças operárias pela sua conversão em auxiliares do grande capital em crise. Mas, por outro lado, são também ícones que representam a crise do capital: as lideranças burguesas tradicionais já não são mais as melhores para ocuparem o centro da cena política neste momento de crise.

II.3. A evolução do governo Lula, do PT e da CUT trouxe um impacto não desprezível nas ilusões de muitos. A continuação de modo ainda mais intenso e profundo das políticas neoliberais por um governo de "esquerda" e "dos trabalhadores" tem levado muitos à conclusão de que não adianta votar em mais ninguém porque são todos "iguais". Esta conclusão é, em si, correta, independente das ponderações que se possa fazer. É verdadeiro que não adianta eleger pessoas, mesmo que sejam pessoas oriundas das classes trabalhadoras; também é verdadeiro que não mudaremos nada de significativo em nossas vidas por meio das eleições. É, ainda, verdadeiro que a eleição de representantes populares ao parlamento tem sido um meio certo e seguro de sua corrupção e cooptação pelo Estado. As exceções, neste caso, são tão poucas e tão heróicas, que confirmam a regra geral.



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 00h57
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II.4. Ao lado desta reação espontânea de parte da população, uma outra reação também se consolida e que terá apelo social: o PSOL. Esta alternativa apenas repõe de modo renovado os mesmos pressupostos ideológicos do mesmo "cretinismo parlamentar" que apontamos acima. Na sua crítica ao PT não pode ir para além da crítica moralista e centrada nos indivíduos: a hipótese da traição. Isto é, explica a falência do projeto petista como resultado da traição de alguns indivíduos e, portanto, tratar-se-ia de reprisar o mesmo projeto com pessoas mais confiáveis e firmes. Esta crítica ao projeto petista não consegue explicar em que condições históricas, e quais os condicionantes históricos que tornaram esta traição não apenas possível mas ainda a única alternativa petista para se chegar ao poder. Não deixa de ser indicador dos limites desta crítica o fato de que o fazem as mesmas pessoas (para não falar de forças sociais) que enxergaram na eleição de Lula a redenção das classes populares. E a profundidade e radicalidade desta crítica podem ainda ser avaliadas pelo fato de que, entre os novos redentores parlamentares do país encontrarmos políticos que se abstiveram quando da reforma da previdência, personalidades que ocuparam papel de responsabilidade na condução de Lula ao Planalto e teóricos que não se furtaram a difundir a ilusão de que com a eleição do operário metalúrgico teria soado a hora e a vez dos pobres deste país.

Por fim, o mesmo culto à personalidade de Lula é repetido agora ao redor da figura "carismática" de Heloísa Helena. Se Lula foi uma liderança operária a altura do PT nos anos de 1980, Heloísa Helena é uma liderança à altura do PSOL. Enquanto o  PSOL, sem qualquer base popular e operária, parte das ilusões parlamentares que foram o ponto de chegada da degenerescência do PT, Heloísa Helena é a liderança parlamentar que aspira ao que foi o ponto de partida de Lula: a liderança de um movimento popular. Assim como Lula teve que se curvar ao grande capital para se converter de líder sindical em serviçal da burguesia, Heloísa Helena deve partir de suas relações com as oligarquias alagoanas para levantar vôo como uma liderança revolucionária nacional.

II.5. Dado importante da conjuntura tem sido o crescimento do PSTU e do CONLUTAS. Em que exatamente se resultará este crescimento é difícil dizer. O PSTU tem, como uma de suas características principais, a avaliação de que caminhamos para uma crise revolucionária no prazo de alguns poucos anos. Isto faz com que em suas avaliações o fator tempo tenha uma enorme premência. O que se traduz em sua dificuldade em trabalhar em frente (isto é, incorporar que o programa de uma frente tem que ser o programa máximo do setor mais atrasado) e a tendência a impor, por qualquer meio, as medidas e ações que considera imprescindíveis. Ao mesmo tempo, em alguns momentos, em sua tentativa de ampliar sua base e sua influência, cede onde não deveria, como no caso de recomendar voto em Lula no segundo turno das eleições passadas ou, então, como ao chamar hoje para uma frente o PSOL e o PCB. A esta altura, apoiar a candidatura da Heloísa Helena significa, na prática, rever as críticas do PSTU ao PT, pois é, de fato, um apoio político ao mesmo "cretinismo parlamentar".

Todavia, é inegável, e aqui o mérito do PSTU, que é ao redor dele e de suas iniciativas que tem se organizado o que de mais importante e significativo tem ocorrido na luta contra o neoliberalismo e na defesa da revolução. E este é um mérito não pequeno nas circunstâncias em que vivemos.

II.6. Por outro lado, o refluxo do movimento operário e popular hoje é tão intenso que não faz a menor diferença termos alguns parlamentares no Congresso. Hoje, mais do que nunca na história recente do país, o palco parlamentar joga um papel secundário na construção de alternativas revolucionárias. Isto nem sempre foi assim. Lembremos como sob a ditadura foi importante o voto no MDB ou a organização do PT nos anos imediatamente posteriores ao ciclo de greves que se iniciou no ABC. Hoje, todavia, a presença de uma bancada mais ou menos expressiva em Brasília em nada altera a conjuntura a favor dos revolucionários

Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 00h57
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III. Das eleições de 2006

III.1. A crise do governo Lula e a corrupção generalizada faz com que nestas eleições delineia-se a conjuntura mais favorável dos últimos anos para a denúncia do Estado burguês e da representação parlamentar democrática. Há um terreno mais favorável do que no passado para a propaganda dos ideais revolucionários e para a propaganda de que há alternativa ao Estado burguês.

III.2. Deste modo, caberia aos revolucionários realizarem a campanha de propaganda a mais ampla possível de denúncia do Estado burguês e das virtudes da organização social tipo Comuna de Paris. Deveriam ser bandeiras a luta por um sistema de representação em que:

                            III.2.a. Os representantes seriam eleitos em assembléias dos trabalhadores e poderiam ser removidos a qualquer instante pela sua base;

                            III.2.b. não poderiam ganhar mais do que um operário especializado;

                            III.2.c. assembléias locais e nacional seriam o órgão executivo e legislativo: as decisões seriam implementadas pelos órgãos que decidem;

III.3. A forma de organização desta campanha deverá respeitar as particularidades de cada local, mas priorizando sempre a discussão mais aprofundada com os setores mais avançados da sociedade, pois é com tais setores que a defesa dos ideais revolucionários poderá ter melhores resultados. E, com a proximidade do pleito, talvez se torne possível uma campanha pelo voto nulo ou pela abstenção. Mas isto é, deve ficar claro, o de menor importância: o decisivo é a campanha de propaganda da Comuna.



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 00h55
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CONTRA O PARLAMENTO: VOTE NULO!!!


 Hoje, mais do que nunca, é visível a crise pela qual estamos passando. Cada vez fica mais claro, que os interesses dos trabalhadores são negligenciados no Parlamento, e somente os interesses da burguesia são favorecidos pelo Estado. Essa crise estrutural da democracia representativa evidencia que as eleições não passam de um instrumento para legitimar a sociedade capitalista e o Estado burguês. É preciso demonstrar a necessidade e a possibilidade de uma nova forma de organização política, uma organização comunal, como a construída pela Comuna de Paris. Somente a luta extra-parlamentar pode resultar em algum ganho para as classes exploradas.
 Portanto, nosso posicionamento é claramente a favor dos trabalhadores, pois entendemos que apenas eles são capazes de transformar radicalmente esse mundo fundamentado na propriedade privada e no Capital. Nesse sentido, e somente nele, tem-se a perspectiva de acabar a exploração do homem pelo homem e construir um mundo plenamente livre e humanizado, onde as opressões de classes perderão sua razão de existir.
 Assim, o Comitê Pró Voto Nulo convida todos a participarem das nossas reuniões, que ocorrem quinzenalmente aos domingos, 17hrs na Adufal.

 No próximo domingo (25/06), discutiremos o 3° capítulo do livro "O Estado e a Revolução" de Lênin.

Contatos: 8834-7836 / 9311-6117
comitvotonuloal@gmail.com



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h36
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Carta aos camaradas do PSTU

- Sergio Lessa

Não vivemos uma situação pré-revolucionária. Ao contrário, os inúmeros conflitos sociais dos nossos diais, são antes manifestações do caráter imanentemente conflituoso do capitalismo do que uma crise revolucionária que se aproxima. Por isso, as explosões e lutas mais intensas e explosivas que assistimos na América Latina e no resto do mundo tendem a soluções assimiláveis à sociedade burguesa e não à ruptura do sistema do capital. Argentina, Bolívia, Venezuela, Equador, França, etc., são exemplos do que nos referimos: neste período contra-revolucionário, a vitória do capital agudiza as contradições sociais e pode gerar graves e agudos conflitos. Estes, todavia, isolados, ainda não são capazes de romper o sistema do capital e são absorvidos, de um modo ou de outro, pelo próprio capitalismo. Esta situação pode se alterar mais ou menos rapidamente; todavia, até o momento não há qualquer indício que caminhamos para uma crise revolucionária – isto é, para a passagem do modo de produção capitalista para o modo de produção comunista (pois é este, e nenhum outro, o significado histórico da revolução hoje possível). Nestas circunstâncias históricas, o acúmulo de forças revolucionárias ocorre de forma lenta e ao redor da propaganda (no sentido leniniano, muitas e aprofundadas idéias para poucas pessoas) dos objetivos estratégicos revolucionários: a plataforma máxima do comunismo. Se a experiência do século passado deveria ter ensinado algo aos revolucionários, é que sacrificar a teoria e a propaganda dos objetivos estratégicos em nome da ampliação da influência e do crescimento do número de militantes é um vitória de Pirro. O partido cresce e aumenta seu peso eleitoral, todavia ao custo de abrir mão de seu caráter revolucionário e de atrair para suas fileiras militantes cuja concepção de mundo é reformista. >   Um século de tragédia da social-democracia e do stalinismo é mais do que suficiente para termos todos aprendido que na luta revolucionária não há atalhos e a via mais rápida ao crescimento é quase sempre, também, a via de menor resistência de integração ao sistema do capital. Por esta via chegou-se, inúmeras vezes, não à revolução, mas à conversão dos revolucionários em reformistas.



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h35
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Continuação....     

Há já algum tempo o PSTU aderiu às ações afirmativas e definiu sua posição favorável à política de cotas. As cotas nada mais são que o racismo simétrico ao racismo dominante. O governo, por exemplo, destrói as escolas públicas dificultando o acesso dos trabalhadores à educação superior. A saída das cotas não é a reversão desta tendência pela reconstrução do ensino público e por uma política de acesso universal às universidades, mas o privilégio do acesso através de cotas de alguns trabalhadores negros (ou índios, ou amarelos, etc.). O que torna um trabalhador negro diferente de um trabalhador branco é apenas a cor da pele, e levemos isto em consideração na concessão de um "privilégio" (já que não há vagas para todos os trabalhadores) e nada mais teremos que o racismo. >

Apoiar as cotas, além disso, é estimular a divisão dos, como dizem, "excluídos", pela cor da pele. Os indivíduos passam a se diferenciar pela raça, velando as oposições (estas sim fundamentais) das classes sociais!

Claro que os dirigentes PSTU sabem disso – estamos, aqui, chovendo no molhado. Contudo, o que fez o PSTU apoiar as cotas senão a idéia de que assim atrairia o movimento das minorias? E isto, de fato, é assim: atraiu para si os partidários da nova expressão do racismo, sempre conservador em sua essência, na mesma proporção em que diminuiu a sua capacidade de elevar a consciência dos trabalhadores também pela crítica certeira, precisa e honesta destes equívocos ideológicos. Ao apoiar as cotas, ficou o PSTU impossibilitado de ocupar a vanguarda na luta ideológica contra esta nova forma de conservadorismo que são as "ações afirmativas".




Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h35
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Continuação...    No segundo turno das eleições de 2002, o PSTU, para mim surpreendentemente, recomendou o voto em Lula. Depois de todas as corretas críticas que fez ao PT, sugerir o voto em Lula foi um contra-senso. E a justificativa (era um modo de atrair as forças à esquerda do PT) se revelou equivocada: quantos vieram ao PSTU como resultado desta tática? O resultado foi o inverso: Lula se fortaleceu politicamente porque até mesmo um partido de esquerda como o PSTU manifestou apoio a ele no momento decisivo do segundo turno. >

Agora, no programa proposto para a Frente Classista com o PSOL e o PCB, defende o não pagamento da dívida "para os grandes credores”! Significaria isto que estaria ele reconhecendo a "legitimidade" da dívida do país para com os pequenos e médios burgueses?

Na luta de idéias, cabe aos revolucionários a expressão radical (isto é, pelas raízes) das contradições sociais. Quando não o fazemos, cedemos terreno à ideologia dominante. Queiramos ou não, a ambigüidade e a imprecisão sempre são favoráveis à ideologia burguesa.



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h34
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Quais os equívocos da proposta de uma Frente Classista com o PSOL?       Pela sua gênese social e política, o PSOL só pode fazer uma crítica incompleta e superficial ao PT. No fundo, apostam que com as mesmas concepções mas com pessoas diferentes as coisas terão outro rumo. Mera ilusão! O problema decisivo da tragédia petista está em suas concepções ideológicas e no papel que tais idéias podem exercer no atual momento histórico. Lula, de líder metalúrgico apodreceu no parlamento; Heloisa Helena e o PSOL pretendem partir do Congresso Nacional para conquistar as massas. Da tragédia a uma ilusão que tem muito de farsa. Imaginar que "impondo" uma "plataforma classista" e um vice à candidatura de Heloísa Helena seria o suficiente para alterar esta determinação de classe do PSOL é um equívoco. O PSOL apenas pode crescer na sombra da "traição da camarilha dirigente do PT", ele só pode existir enquanto "resgate do PT original". E, por isso, ao apoiar a candidatura Heloísa Helena (ainda que "condicionalmente") o PSTU de fato e na prática apóia o PSOL.  Por esta razão, a proposta de uma Frente Classista (que nos dias em que escrevo está naufragando pela opção à direita do PSOL), foi um enorme equívoco. Aproxima o PSTU ao reformismo sob a ilusão de que seria possível tensionar o reformismo do PSOL. E o PSOL em troca, só sai ganhando. Por um lado, porque recebeu o respaldo da autoridade conquistada pelo PSTU até agora na luta contra o sistema do capital. E, depois, porque conseguiu que o PSTU tivesse que maneirar as suas críticas ao reformismo do PSOL e, após abandonada a proposta de frente classista, que todas as críticas possam ser enfrentadas alegando-se ser a dor de cotovelo pelo PSTU ter perdido o posto de vice-presidente para a Consulta Popular. >   Além do mais, quando a ruptura se tornar inevitável (e se tornará no curto prazo), e for forçoso tornar pública a denúncia do caráter "petista" do PSOL, como justificar esta proposta de uma frente "classista" com representantes de uma concepção que é, objetivamente, uma traição à revolução? A proposta de frente classista foi um equívoco: serve mais ao reformismo que às forças revolucionárias.

 



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h34
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Continuação....    O que fazer em 2006?   Há um argumento do PSTU contra o voto nulo nestas eleições que é correto: enquanto houver ilusões eleitorais entre os trabalhadores, as eleições serão fatos políticos importantes e delas devem participar os revolucionários. > Enquanto a burguesia tende a substituir a luta de classes pelas eleições e entende que a participação nas eleições tem que se dar por meio de candidatos, os revolucionários devem lutar para substituir as eleições pelas lutas de classe. Nesse contexto, "participar" deve fazer parte de uma estratégia revolucionária muito mais flexível que a estratégia burguesa. "Participar", neste caso, não pode se limitar ao lançamento de candidaturas e programas eleitorais. Lançar candidatos – ou não --, não deve ser uma questão de princípio, mas mera questão tática. Se, em determinadas circunstâncias, lançar uma candidatura for importante, que assim seja feito. Ou, caso contrário, que não se lancem candidatos.  Vivemos uma conjuntura política muito favorável à propaganda comunista, provavelmente a mais favorável nas últimas décadas. A atual conformação do Estado brasileiro e a relação das facções das classes dominantes com ele torna muito difícil, no curto prazo, mascarar como no passado o seu caráter anti-popular, anti-nacional e anti-proletário. A absolvição da maior parte dos ladrões publicamente identificados e que roubaram dinheiro público para a corrupção eleitoral, as CPIs que se transformam em pizza, a evidência palmar que o dinheiro corrompe até mesmo um metalúrgico que deixou na prensa um de seus dedos (lembram-se como este argumento foi utilizado para incensar Lula em 2002?), cria uma disposição generalizada muito favorável a uma campanha nacional pelo voto nulo e uma agitação e propaganda de um novo país, como uma nova forma de organizar sua representação política: a forma comunal. >

 



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h34
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Continuação...   Hoje, fazer a agitação e propaganda ao redor de um novo Estado no qual os representantes eleitos sejam removíveis a qualquer instante pela base que os elegeu, que seus representantes sejam responsáveis pelas propostas e projetos que foram eleitos para defender e implementar, que os eleitos recebam o mesmo salário que um operário e, por fim, que a mesma assembléia que elege e decide seja também responsável pela implementação prática das decisões – enfim, a propaganda e agitação ao redor das características determinantes de um Estado de transição entre o capitalismo e o comunismo nos moldes da Comuna de Paris, possui potencialidades políticas que não deveriam ser desprezadas pelos revolucionários. Vote nulo contra o Estado burguês! Por um Estado em que os representantes sejam responsáveis, removíveis, recebam o salário de um operário e que termine com a divisão entre o legislativo e o executivo: estas bandeiras, bem trabalhadas, poderão ajudar no acúmulo de forças revolucionárias no sentido e no rumo corretos, isto é, à esquerda. É, neste sentido, uma oportunidade histórica de ouro. Temos liberdade política, podemos organizar publicamente a campanha, é possível associar a discussão mais aprofundada da transição ao socialismo com grupos menores de pessoas nas universidades, fábricas e sindicatos com pedágios públicos para arrecadar recursos para a campanha do voto nulo, assembléias nos bairros e nos sindicatos, manifestações, panfletagens e pichações. No melhor estilo de uma campanha política revolucionária. >  Podemos, ainda, nos diferenciar claramente dos reformistas e fazer a crítica mais contundente ao PSOL retirando todas as lições da tragédia petista: organizar a sociedade para lutar no parlamento nada mais é que substituir a luta de classes pela disputa parlamentar. Em poucas palavras, significa travar a luta no terreno mais favorável ao inimigo de classe. E, tudo isso, com um apelo de massas que não teríamos no passado recente nem, talvez, tenhamos nos anos à frente. O contrário disso (apoiar a frente "classista" com o PSOL ou lançar uma candidatura própria) fortalece as ilusões eleitorais sugerindo que, apesar de tudo, não há alternativa ao Parlamento no momento em que a "legitimidade" das eleições e dos "políticos" alcança seu nível mais baixo.



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h32
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Continuação..   Em suma, os equívocos do PSTU nestas eleições estão em:

1) ter considerado a possibilidade de uma frente "classista" com o PSOL. Este é um partido essencialmente eleitoreiro, reformista e tem na proposta de "resgate" do PT sua proposta política essencial. Uma frente com o PSOL, hoje, seria não uma frente "classista", mas um rebaixamento da política revolucionária ao patamar da política reformista;

2) imaginar que o elogio ao PSOL contido no apoio de sua candidatura "natural" à presidência irá trazer militantes para o PSTU é mera ilusão: o mais provável é que ocorra o inverso, tal como no passado recente. Apenas a radicalidade na luta ideológica permite o acúmulo de forças revolucionárias;

3) considerar que "só podemos participar" das eleições por meio de candidatos e que o voto nulo significaria não participar do pleito deixando o espaço aberto à burguesia. Por este raciocínio, até chegar à revolução e as ilusões parlamentares das massas terem perdido espaço, teremos sempre que lançar candidatos, o que na prática transforma de tática em estratégia o lançamento de candidaturas nas eleições burguesas. Ledo engano: o voto nulo é uma forma de participação muito mais atrasada do ponto de vista revolucionário que o boicote. Mas, nas atuais circunstâncias, é um ato de protesto que pode envolver boa parte da sociedade e muitos dos trabalhadores contra o Estado burguês no que ele tem de politicamente essencial: representar o capital contra os trabalhadores, principalmente contra os proletários. Ao propor-se voto nulo não estamos propondo o boicote do pleito, pois não cometemos o equívoco de identificar participação ao lançamento de candidaturas; >

4)  perder uma oportunidade muito favorável à crítica do Estado burguês e do reformismo: nunca foi mais fácil a discussão de um Estado tipo comuna.

 



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h32
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Continuação....  O PSTU tem dado mostras de combatividade revolucionária inquestionáveis. Tem se constituído, com méritos, na referência às lutas de esquerda em nosso país. Até hoje é dos raros partidos que podem se orgulhar de não terem cedido às ilusões parlamentares e reformistas. Não é hora (se é que existirá tal momento) de o PSTU pretender um atalho para ampliar sua presença política através de uma aproximação com os remanescentes históricos e herdeiros políticos da tragédia petista ou dos partidários das políticas afirmativas. Que o PSTU abandone o apoio às cotas, que volte a defender o não pagamento da totalidade da dívida nacional, que abandone esta concepção de que só podemos participar de eleições burguesas lançando candidatos.

> Uma vez mais, como dizia Maiakovsky, "à esquerda, à esquerda, à esquerda"! 

Voto Nulo! Viva a comuna!

maio de 2006

 



Escrito por Comitê pró voto nulo-al às 21h32
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